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PAPO DE FAMÍLIA

Muitas doenças psicossomáticas podem ser um sinal de crises no casamento.

 

Quando pensamos na relação conjugal, a partir do pensamento sistêmico, levamos sempre em consideração que a formação do casal nunca é composta por dois elementos e sim três elementos, ou seja, a individualidade de cada um dos cônjuges, mais a relação que se estabelece entre eles. Essa é uma afirmação de difícil compreensão para os casais que procuram ajuda para solucionarem conflitos. A maioria deles já trazem uma solução pronta, principalmente quando a questão passa pelo adultério. Em geral, o culpado é sempre aquele que praticou o ato de traição, e a outra parte é sempre a vítima. Ou seja, uma forma muito simplista de ver o problema.

 

Esta forma de pensar é fruto da construção do pensamento linear, ou seja, sempre haverá uma única causa para um determinado efeito. Não estamos aqui fazendo apologia de atos irresponsáveis da relação conjugal, sejam eles, adultério, consumismo ou posturas narcisistas de determinados homens ou mulheres que agem como se fossem a única pessoa no mundo. Fica fácil entendermos isso se pensarmos aplicando um fenômeno das ciências biológicas. Por exemplo, na combinação química de dois elementos é possível o surgimento de um terceiro elemento totalmente diferente. Isto é chamado de propriedade emergente. É o que acontece com a água: Oxigênio (O) + 2 átomos de Hidrogênio = H2O, sendo oxigênio um gás e o hidrogênio um outro gás, a combinação destes dois elementos químicos produz um resultado de característica distinta: um líquido. Assim é a composição do casal: personalidades diferentes , que ao se unirem fazem emergir na relação uma mente nova, totalmente diferente daqueles atributos que tinham cada um em sua individualidade. A Biblia diz que se tornam uma só carne. O EU e o VOCÊ ao se relacionarem geram o NÓS. O nascimento desta nova identidade, a do casal, se dá em meio a muitas influências que tem por origem a história familiar e pessoal de cada um dos parceiros, vividas em suas respectivas famílias de origem. As crises no casamento fazem parte do processo de crescimento de cada um dos cônjuges, e se forem trabalhadas e re-significadas podem levar o casal a amadurecer emocionalmente.

 

Estas crises podem ser geradas por diversos impasses, dentre eles: falta de diálogo e reflexões sobre vida do casal , dificuldades na área sexual , conflitos de opinião ou de interesse, diferenças culturais. Este sistema, que podemos chamar de conjugal, se não encontrar alternativas para sair do impasse poderá desencadear doenças psicossomáticas, tais como: úlceras, alergia, hipertensão arterial , obesidade causada pela ansiedade, anorexia nervosa, bulemia, dependências químicas e fobias.Fatores desencadeantes das crises conjugais como adultério, crise financeira interferindo na relação, dependências químicas, jogos de azar, surgem na maioria das vezes como um meio de sinalizar que existem conflitos subjacentes ainda não resolvidos na relação e que vão requerer mais que um conselho. Na verdade o auxílio de um profissional especializado em terapia familiar e de casal será indispensável.. Este processo terapêutico irá ajudar cada um dos cônjuges a ampliar a sua percepção de mundo ao mesmo tempo que irão entender melhor as suas relações familiares e conjugais. Isto não significa de forma alguma tirar a responsabilidade individual de cada um e sim promover a consciência de que o outro faz parte do processo de crescimento inter-relacional. Ganhar esta consciência torna a relação conjugal mais humana e solidária, já que não se pode negar a responsabilidade pessoal de cada cônjuge no processo das escolhas.

* esta matéria teve a colaboração da Dra. Ângela Herrera, terapêuta de familia e de casal da Clínica Escola VínculoVida.

 

 

 

 

 

 

 

Paulo Falçarella

Formado em Administração pela faculdade Metodista, Bacharel em Teologia e Terapêuta de Família e Casais. Hoje faz parte da equipe pastoral da Igreja Batista do Povo.

 

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